Se tivesse nascido nesta última década seria impossível dizer aos meus filhos que tinha estudado naquela escola. É talvez a diferença mais marcante na vida diária daquela aldeia nos últimos anos. Enquanto antes as crianças mantinham-se dentro da aldeia, iam para a escola pelo seu pé, em conjunto, brincavam e tudo faziam na sua aldeia até aos nove ou dez anos, hoje Ribolhos encontra-se totalmente despida de crianças durante a semana. Arrisco mesmo dizer que durante o inverno nenhuma criança em idade escolar verá a sua aldeia à luz do sol durante a semana.
Por meados da década de oitenta a situação era bastante diferente. Embora a natalidade já não fosse das mais elevadas, e a emigração fizesse com que as crianças saíssem ou nascessem fora de Portugal, a verdade é que a escola primária de Ribolhos estava cheia de crianças.
Duas salas, repletas de miúdos que ao saírem para o recreio transformavam o silêncio e a ordem em caos. Os sinais da presença das crianças era constante... Campos pisados e culturas muitas vezes estragadas parcialmente pelas incursões à procura de uma bola chutada alta de mais. Os choros de uma queda mais aparatosa.
A aldeia era de facto muito diferente do que é hoje e a escola em muito contribuía para isso.
Um dos resultados da perda da escola primária foi também o desvanecer de um espírito de corpo e união entre as crianças da aldeia, o qual se ganhava durante os primeiros quatro anos do ensino. Na época quando uma criança continuava os seus estudos no "ciclo" em Castro Daire tinha um enorme sentimento de pertença e de grupo à sua aldeia, independentemente se era de Ribolhos, de Mões, ou de outra terra qualquer. Aliás, as aldeias que não tinham escola simplesmente não possuíam este sentimento tão vincado.
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