Corria o ano de 1998 quando, um pouco no embalar da corrente como tudo o resto na minha vida, fui parar, como estudante, a essa cidade fabulosa, que ainda hoje considero a MINHA cidade: Coimbra.
É um lugar comum, mas a verdade é que só apenas quem ali viveu enquanto estudante consegue sentir o que é Coimbra realmente. E Coimbra é, ainda, a única cidade de estudantes em Portugal.
Serão vários os artigos que aqui irei escrever, mas posso desde já dizer que desde o primeiro domingo em que os meus pais me foram deixar a Coimbra que me senti parte de algo, completamente integrado. Ali nunca tive receio de praxes, de não me conseguir integrar bem, de não ser bem sucedido em que aspecto fosse. Senti-me desde o primeiro minuto parte da mobília daquela que é, ainda hoje e repito, a MINHA cidade.
De tanta coisa me recordo, mas algumas coisas tenho que destacar. O Pinto's da D. Adelina e do Sr. Pinto, a tasca que se transformou na minha segunda casa, propriedade de um casal que hoje considero como uns segundos avós e do qual irei falar no futuro, várias vezes.
Recordo-me também do som do Fado de Coimbra a ecoar pelo Arco de Almedina, todos os dia quando ia para as aulas, saindo de uma pequena loja, discoteca e alfarrabista. Ainda hoje Fado de Coimbra é ainda sinónimo, para mim, daquele local que me acompanhou desde o meu primeiro dia naquela cidade.
Também o enorme respeito que impunham todas as paredes das faculdade da Alta faz parte das minhas primeiras memórias coimbrãs e um enorme sentimento de orgulho por pertencer à ACADEMIA, Peço desculpa a todos os estudantes do ensino superior que não estudaram na Universidade de Coimbra, mas tal ainda é hoje para mim um enorme orgulho e considero aquela Universidade ainda a referência para qualquer estudante, especialmente pelo ambiente que se vive na cidade, algo que não é vivido em outra cidade portuguesa.
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Escola de Ribolhos
Embora seja de Grijó de Mões também considero como minha a aldeia de Ribolhos. Foi lá que andei na catequese, que brinquei, joguei à bola, namorei, casei e estudei.
Se tivesse nascido nesta última década seria impossível dizer aos meus filhos que tinha estudado naquela escola. É talvez a diferença mais marcante na vida diária daquela aldeia nos últimos anos. Enquanto antes as crianças mantinham-se dentro da aldeia, iam para a escola pelo seu pé, em conjunto, brincavam e tudo faziam na sua aldeia até aos nove ou dez anos, hoje Ribolhos encontra-se totalmente despida de crianças durante a semana. Arrisco mesmo dizer que durante o inverno nenhuma criança em idade escolar verá a sua aldeia à luz do sol durante a semana.
Por meados da década de oitenta a situação era bastante diferente. Embora a natalidade já não fosse das mais elevadas, e a emigração fizesse com que as crianças saíssem ou nascessem fora de Portugal, a verdade é que a escola primária de Ribolhos estava cheia de crianças.
Duas salas, repletas de miúdos que ao saírem para o recreio transformavam o silêncio e a ordem em caos. Os sinais da presença das crianças era constante... Campos pisados e culturas muitas vezes estragadas parcialmente pelas incursões à procura de uma bola chutada alta de mais. Os choros de uma queda mais aparatosa.
A aldeia era de facto muito diferente do que é hoje e a escola em muito contribuía para isso.
Um dos resultados da perda da escola primária foi também o desvanecer de um espírito de corpo e união entre as crianças da aldeia, o qual se ganhava durante os primeiros quatro anos do ensino. Na época quando uma criança continuava os seus estudos no "ciclo" em Castro Daire tinha um enorme sentimento de pertença e de grupo à sua aldeia, independentemente se era de Ribolhos, de Mões, ou de outra terra qualquer. Aliás, as aldeias que não tinham escola simplesmente não possuíam este sentimento tão vincado.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Sem stress, por volta da hora marcada...
Tive o meu primeiro telemóvel quando entrei na faculdade. Na altura, embora não fossem raros, a verdade é que o telemóvel ainda não fazia parte do nosso dia a dia. Esse telemóvel que recebi umas semanas ou meses antes de migrar para Coimbra era da minha irmã, a qual não gostava de andar com tal atrelado à semelhança do que acontece ainda hoje.
Parado durante esse período, mesmo em Coimbra era raro ele sair à rua visto só o utilizar para falar com os meus pais sem ter que ir para, as então, enormes filas que se formavam nas cabines telefónicas da Praça da República.
Até meados de 2000 ou mesmo 2001 vivi sobre o signo do “combinado”. Passo a explicar. Se um grupo de amigos combinava estar a tal hora num local, seria por volta dessa hora que o grupo se formava sem qualquer preocupação ou “stress” por falta de comparência à exacta hora marcada. Se passados 3 minutos da hora alguém ainda não tinha chegado esperava-se pois devia estar a chegar.
A minha infância e juventude, até aos primeiros anos da idade adulta, foram vividos desta forma.
Hoje, olhando para trás, é formidável a forma como na altura miúdos de 10 anos combinavam algo para domingo à tarde na semana anterior e no dia marcado, por volta da hora marcada, os “convocados” estavam presentes.
Hoje, ao combinar-se algo para domingo numa sexta, a resposta normal é “depois telefono-te a confirmar”. E depois, no momento, e passados 2 minutos da hora marcada começam desde logo a chover telefonemas para aferir a razão do atraso.
Nos meus tempos de boémio em Coimbra, naqueles inícios de tarde em que não apetecia mesmo nada ir às aulas, não se telefonava a perguntar onde o pessoal estava. Simplesmente traçava rumo para o “Pinto” na esperança de encontrar uns quantos calões como eu. E se não estivesse lá ninguém, por infelicidade do destino, o remédio era esperar... sem preocupações.
É incrível como essa capacidade perdida sai extremamente cara para qualquer indivíduo. Basta ver o extracto do telemóvel para rapidamente chegar à conclusão de que boa parte das chamadas efectuadas têm uma duração inferior a dois minutos do que se depreende que foram realizadas para confirmar horas, ver se alguém estava em casa, para saber se alguém ainda chega hoje, etc.
Morreu esse costume. Hoje estamos dependentes do telemóvel também para isto. Até crianças de seis anos telefonam umas para as outras para saber se o colega de brincadeira depois da escola vem ter ao local combinado, não obstante o facto de terem combinado o encontro à menos de uma hora, à saída da sala de aulas!
domingo, 14 de março de 2010
Porquê que eu sou do tempo...
Parece que é chegada a hora em que começa a ser estranhamente vulgar os momentos em que ao longo dos dias dou comigo a pensar em como tudo era um pouco diferente quando eu era mais novo. Claro que infelizmente essa noção advém do facto de estar, a cada dia que passa, mais velho, sendo que a distância temporal da qual me recordo de ser como sou e o presente já é mais do que suficiente para que veja grandes diferenças em meu redor.
Algumas diferenças são claramente para melhor, no entanto a nostalgia dos "bons velhos tempos" também se apodera de mim muitas vezes.
Chego mesmo a ter saudades em que o dia-a-dia embora não fosse facilitado por muitos dos recursos que hoje temos disponíveis, era revestido por valores simples que tornavam possível a vida em sociedade como a paciência, pontualidade, honra, rusticidade, entre outros.
Daí a ideia de verter neste blog esses mesmos pensamentos (gosto muito da expressão verter).
De certeza de que quem ler estes textos já se terá dado conta do que aqui é relatado, não na sua totalidade mas pelo menos em parte. Daí este blog ser também um espaço de partilha e de reavivar de memórias.
Algumas diferenças são claramente para melhor, no entanto a nostalgia dos "bons velhos tempos" também se apodera de mim muitas vezes.
Chego mesmo a ter saudades em que o dia-a-dia embora não fosse facilitado por muitos dos recursos que hoje temos disponíveis, era revestido por valores simples que tornavam possível a vida em sociedade como a paciência, pontualidade, honra, rusticidade, entre outros.
Daí a ideia de verter neste blog esses mesmos pensamentos (gosto muito da expressão verter).
De certeza de que quem ler estes textos já se terá dado conta do que aqui é relatado, não na sua totalidade mas pelo menos em parte. Daí este blog ser também um espaço de partilha e de reavivar de memórias.
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